quinta-feira, setembro 22, 2005

Relatos de um ENECOM • A CHEGADA

por Eduardo Gomes


O Encontro
Final de Ravie. Cansaço estampado na face dos participantes. Todos queriam e precisavam caminhar, ficar de pé, esticar as pernas. Mas não esperavam uma “organização” tão desorganizada logo na recepção. E o que era vontade de ficar de pé tornou-se obrigação... Fila pra que mesmo? Ah! Sumiram com a listagem. E o comprovante de pagamento? Sumiu também? Para completar, os coordenadores do CACOS precisavam resolver as pendengas de alguns estudantes ainda não inscritos no Encontro. Reuniões, conversas, debates. E a persuasão novamente sai campeã. Estudantes inscritos, cadastrados, credenciados. Tudo nos conformes.

A delegação segue ao alojamento e surpreende-se ao ver que tinha mais barraca do que gente. Algumas pessoas resolvem fundar a AlfaVila, armando as barracas nas proximidades do Bloco 14, em baixo de uma árvore. Outras optam por fundar o Beco do Besta versão AlfaVela. O restante se aloja na sala de aula mesmo, e chamam o recinto de Bervelly Hills. Momentos de alegria e bastantes risadas... e o brinde?

Antes que sentissem falta de fazer o brinde, receberam a triste notícia de que “teriam” que se encaminhar à praia de Pajuçara, para um mergulho de reconhecimento. E, posteriormente, “teriam” que brindar com uma cerveja gelada, sol quente, areia branca... um brinde! Até São Pedro quis fazer parte do brinde e derramou um pouco do seu líquido. Mas nada seria capaz de diminuir o brilho daquele momento. Banho de chuva do litoral lava até consciência pesada... e tira o sal do corpo!

A primeira plenária é aberta e começa a votação: “onde assistir ao jogo da Seleção?” É descoberto um restaurante que tem televisão e pra lá se encaminha a delegação. Quanta emoção. Güenta coração... Brasil consegue a classificação. Algumas pessoas perdem a noção e começam a comemoração. Olha o brinde, meu irmão!

E, apesar daquele clima de festa, é hora de partir, voltar para a Universidade. Um novo desafio: ônibus coletivo na cidade desconhecida. Ao entrar no ônibus, alguns dos viajantes têm um retrocesso mental e pensam estar novamente na Rave móvel! Cantam freneticamente e batucam no teto do ônibus. Fazem piadinhas com o fato de o cobrador não ter troco. No momento mais crítico, começam até um ensaio das músicas do Balão Mágico.

Seria essa uma forma de prosseguir com a comemoração da classificação ou apenas uma maneira de expressar a felicidade reprimida pela correria do dia-a-dia? Seja qual for o motivo, o entusiasmo tomou conta de todos os presentes e, com certeza, merecia um novo brinde!

domingo, setembro 18, 2005

Relatos de um ENECOM • A VIAGEM

por Eduardo Gomes


A viagem
“Isso nem parece uma viagem... parece que estamos numa grande festa!” diz um dos frenéticos diretores da Seita Etílica Paralela. E realmente foi isso o que aconteceu; uma Rave de 36 horas.

Música alta, cantos desafinados, risadas cômicas e brindes, muitos brindes. A alta Diretoria se embriagava de sorrisos quando, ao longe, avista um grupo rebelde que tinha um grandioso esquema de aquisição de vodca barata para confecção de um poderoso “Suco Gummy”. Momentos de tensão. Troca de olhares. Era a Diretoria Etílica com sede no fundão sentindo-se ameaçada pela Força Revolucionária que surgira em posição mais adiantada (frente do busão).

Mas os Revolucionários quebram tal clima puxando um poderoso brinde, que englobava todas as facções presentes na Rave móvel. Alívio aos guias. Alívio aos civis que se encontravam entre os grupos rivais. Alívio!

Chega a vez dos civis e eles sacam uma arma e conseguem unanimidade das facções, acabando de vez com qualquer desavença que insistisse em pairar sobre os ares da Rave móvel: “Truuuuco ladrão”, grita um deles, puxando as atenções para a jogatina. Arquiinimigos se unem e formam duplas invencíveis ou, ao menos, engraçadas...

Prossegue-se a festa, digo, a viagem. Em cada parada, uma nova descoberta, uma nova alegria e, como não podia deixar de ser, um novo brinde. Um dos participantes da festa entra em estado de êxtase total e transgride, voltando às origens. Anda como um babuíno em meio à multidão e, no ápice de sua loucura, pula no colo de um transeunte. Cata piolhos, come uma “banana-virtual” e, não bastasse isto, pensa ser uma estátua. Escala um dos muros e se porta como O Pensador, de Auguste Rodin.

Estrada a dentro, segunda noite de festa – viagem – e poucos apresentam fraqueza ou cansaço. Novos documentos são anexados ao dossiê, pois o sistema de arrecadação de propinas estava novamente em vigor em território interestadual, fazendo com que a alta diretoria adquirisse mais mercadorias etílicas...

A cerveja parece não terminar nunca. Um acidente faz com que a Babilônia entre em chamas. Na euforia da Rave, alguns participantes abortam missão e se entregam ao cansaço, fazendo com que um ensaio de silêncio pudesse ser ouvido. Mas não, o show precisava continuar e, por um descuido, o DJ perdeu parte de seu equipamento. Interrogatório por todo o ônibus. Suspeitos por todo lado. A situação estava absolutamente sem “controle”. Desespero e angústia!

Nasce o sol, trazendo uma nova esperança: o controle do som é resgatado. Sorrisos podem ser visto em grande parte da tripulação e, para comemorar o fim do cativeiro, puxa-se um brinde. E nesse clima, a Rave vai chegando ao seu fim, ao som de Tati e Serginho... um brinde!

sexta-feira, setembro 16, 2005

Relatos de um ENECOM • A PARTIDA

por Eduardo Gomes


A partida
Sexta-feira, 02 de setembro de 2005. Eis que chega o ônibus, todo posudo, azul marinho, bandeirolas dos países latino-americanos nas laterais... Pouco mais de 40 estudantes aguardavam ansiosos por aquele momento de "congresso", ou melhor, "encontro".

A vontade de se "encontrar" era tanta que os próprios estudantes se organizaram de maneira nunca antes vista... Montaram um esquema secreto de arrecadação de "propina", onda cada um que ousasse aderir ao "Evento Paralelo" fundado por eles mesmo teria que ofertar R$10,00 para o caixa dois! A adesão foi grande e tudo concorria para que tal "evento" tivesse sucesso.

De repente, um dos membros da Diretoria Técnica desta Seita abre o porta-malas de seu carro e o silêncio paira no ar por uns instantes. Era revelado ali a finalidade de tal arrecadação: aquisição de 15 caixas de cerveja, três garrafas de whisky, algumas de vodca barata e gelo... muito gelo! Pasmos, os contribuintes deram risos frenéticos de felicidade, misturados com euforia. Ouve-se, lá no fundo, um grito de “viva o ENECOM”.

Em meio a risos e brindes, surge um senhor de cabeça branca, bigode e expressão abatida. Assustado com tamanha felicidade, inicia o primeiro momento de aflição para os guias oficiais; os membros do CACOS. Com um discurso pouco persuasivo e bastante agressivo, ele intitula aqueles jovens de “vagabundos” e pede uma posição dos guias e/ou dos motoristas. Vendo que nada seria feito, ele prontamente saca sua “arma” e faz uma ligação, dando seu tiro de misericórdia: “Polícia, tem um monte de vagabundos aqui indo pra um encontro... eles estão cheio de drogas.”

Chegando os oficiais, os membros da Seita Etílica Paralela nem se afetam e continuam com os ritos saudosos de confraternização pré-encontro. Os motoristas fingem não ver a aproximação da “autoridade” e os guias ficam com a “batata quente” na mão. Comunicólogos que são (ou aspiram ser), não precisam de mais do que 2 minutos para resolver tal questão, deixando o “Bigode” profundamente irritado. “Mas eles estão levando bastante cerveja”, argumenta ele e, em contra-partida, ouve do oficial que tal produto é droga sim, mas uma droga lícita.

Descobre-se, posteriormente, que o Bigode estava aflito por causa de sua jovem e bela filha, que pela primeira vez faria uma viagem desacompanhada dos responsáveis legais. Mas, com tal barbárie gerada, fica explícito que de legal ele não tem quase nada e que não confia em si mesmo. Uma jovem de 20 anos já tem sua opinião formada, e esta opinião é elaborada com base nos aprendizados introduzidos por ele próprio... enfim, não cabe a nós julgar e sim apressar a partida, que já apresentava surpresas demais.