Relatos de um ENECOM • A CHEGADA
por Eduardo GomesO EncontroFinal de Ravie. Cansaço estampado na face dos participantes. Todos queriam e precisavam caminhar, ficar de pé, esticar as pernas. Mas não esperavam uma “organização” tão desorganizada logo na recepção. E o que era vontade de ficar de pé tornou-se obrigação... Fila pra que mesmo? Ah! Sumiram com a listagem. E o comprovante de pagamento? Sumiu também? Para completar, os coordenadores do CACOS precisavam resolver as pendengas de alguns estudantes ainda não inscritos no Encontro. Reuniões, conversas, debates. E a persuasão novamente sai campeã. Estudantes inscritos, cadastrados, credenciados. Tudo nos conformes.
A delegação segue ao alojamento e surpreende-se ao ver que tinha mais barraca do que gente. Algumas pessoas resolvem fundar a AlfaVila, armando as barracas nas proximidades do Bloco 14, em baixo de uma árvore. Outras optam por fundar o Beco do Besta versão AlfaVela. O restante se aloja na sala de aula mesmo, e chamam o recinto de Bervelly Hills. Momentos de alegria e bastantes risadas... e o brinde?
Antes que sentissem falta de fazer o brinde, receberam a triste notícia de que “teriam” que se encaminhar à praia de Pajuçara, para um mergulho de reconhecimento. E, posteriormente, “teriam” que brindar com uma cerveja gelada, sol quente, areia branca... um brinde! Até São Pedro quis fazer parte do brinde e derramou um pouco do seu líquido. Mas nada seria capaz de diminuir o brilho daquele momento. Banho de chuva do litoral lava até consciência pesada... e tira o sal do corpo!
A primeira plenária é aberta e começa a votação: “onde assistir ao jogo da Seleção?” É descoberto um restaurante que tem televisão e pra lá se encaminha a delegação. Quanta emoção. Güenta coração... Brasil consegue a classificação. Algumas pessoas perdem a noção e começam a comemoração. Olha o brinde, meu irmão!
E, apesar daquele clima de festa, é hora de partir, voltar para a Universidade. Um novo desafio: ônibus coletivo na cidade desconhecida. Ao entrar no ônibus, alguns dos viajantes têm um retrocesso mental e pensam estar novamente na Rave móvel! Cantam freneticamente e batucam no teto do ônibus. Fazem piadinhas com o fato de o cobrador não ter troco. No momento mais crítico, começam até um ensaio das músicas do Balão Mágico.
Seria essa uma forma de prosseguir com a comemoração da classificação ou apenas uma maneira de expressar a felicidade reprimida pela correria do dia-a-dia? Seja qual for o motivo, o entusiasmo tomou conta de todos os presentes e, com certeza, merecia um novo brinde!
Relatos de um ENECOM • A PARTIDA
por Eduardo Gomes
A partidaSexta-feira, 02 de setembro de 2005. Eis que chega o ônibus, todo posudo, azul marinho, bandeirolas dos países latino-americanos nas laterais... Pouco mais de 40 estudantes aguardavam ansiosos por aquele momento de "congresso", ou melhor, "encontro".
A vontade de se "encontrar" era tanta que os próprios estudantes se organizaram de maneira nunca antes vista... Montaram um esquema secreto de arrecadação de "propina", onda cada um que ousasse aderir ao "Evento Paralelo" fundado por eles mesmo teria que ofertar R$10,00 para o caixa dois! A adesão foi grande e tudo concorria para que tal "evento" tivesse sucesso.
De repente, um dos membros da Diretoria Técnica desta Seita abre o porta-malas de seu carro e o silêncio paira no ar por uns instantes. Era revelado ali a finalidade de tal arrecadação: aquisição de 15 caixas de cerveja, três garrafas de whisky, algumas de vodca barata e gelo... muito gelo! Pasmos, os contribuintes deram risos frenéticos de felicidade, misturados com euforia. Ouve-se, lá no fundo, um grito de “viva o ENECOM”.
Em meio a risos e brindes, surge um senhor de cabeça branca, bigode e expressão abatida. Assustado com tamanha felicidade, inicia o primeiro momento de aflição para os guias oficiais; os membros do CACOS. Com um discurso pouco persuasivo e bastante agressivo, ele intitula aqueles jovens de “vagabundos” e pede uma posição dos guias e/ou dos motoristas. Vendo que nada seria feito, ele prontamente saca sua “arma” e faz uma ligação, dando seu tiro de misericórdia: “Polícia, tem um monte de vagabundos aqui indo pra um encontro... eles estão cheio de drogas.”
Chegando os oficiais, os membros da Seita Etílica Paralela nem se afetam e continuam com os ritos saudosos de confraternização pré-encontro. Os motoristas fingem não ver a aproximação da “autoridade” e os guias ficam com a “batata quente” na mão. Comunicólogos que são (ou aspiram ser), não precisam de mais do que 2 minutos para resolver tal questão, deixando o “Bigode” profundamente irritado. “Mas eles estão levando bastante cerveja”, argumenta ele e, em contra-partida, ouve do oficial que tal produto é droga sim, mas uma droga lícita.
Descobre-se, posteriormente, que o Bigode estava aflito por causa de sua jovem e bela filha, que pela primeira vez faria uma viagem desacompanhada dos responsáveis legais. Mas, com tal barbárie gerada, fica explícito que de legal ele não tem quase nada e que não confia em si mesmo. Uma jovem de 20 anos já tem sua opinião formada, e esta opinião é elaborada com base nos aprendizados introduzidos por ele próprio... enfim, não cabe a nós julgar e sim apressar a partida, que já apresentava surpresas demais.